Marcello Medeiros
Responsável por significativas mudanças no trânsito de Teresópolis nos últimos meses, a secretaria municipal de Segurança Pública, Ordem e Mobilidade Urbana, em ações realizadas em conjunto com a Guarda Civil Municipal, divulgou números que, segundo a pasta, indicam a positividade das ações: levantamento utilizando dados da própria corporação, do Corpo de Bombeiros do Estado do Rio de Janeiro e da Polícia Rodoviária Federal indicam a redução do número de acidentes de trânsito no primeiro semestre de 2026. Em comparativo com o mesmo período do ano passado, houve queda de 60% do número de caso de sinistros nas Avenidas Feliciano Sodré e Lúcio Meira, no trecho conhecido como Reta. Também foi indicada uma redução do número de acidentes nas duas rodovias federais que cortam o município, a BR-495 (Teresópolis x Itaipava) e a BR-116 (Rio-Teresópolis e ‘Rio-Bahia), com queda de 62,5% e 27,9%.
De acordo com a Guarda Civil Municipal, no caso das vias urbanas, que sofreram grandes mudanças na sinalização e orientação de motoristas, também é preciso destacar “as ações permanentes de fiscalização, prevenção, educação e conscientização para a segurança viária” e que “combinação dessas iniciativas contribui para a redução dos riscos de acidentes e para a preservação de vidas no trânsito”.
A corporação, no entanto, faz uma ressalva: os dados correspondem apenas aos pontos da avenida analisados no levantamento e não permitem afirmar, neste momento, que houve redução geral dos acidentes em todo o município.

Sinistros nas estradas federais
Na principal rodovia federal da região, que liga Teresópolis ao Rio de Janeiro e, no outro sentido, a Minas Gerais, segundo levantamento da Polícia Rodoviária Federal (PRF), foram registrados 44 sinistros entre os quilômetros 40,5 e 93,1 no primeiro semestre de 2026, contra 61 no mesmo período do ano anterior – 17 ocorrências a menos. Apesar da melhora, a BR-116 continua concentrando o maior volume de registros entre os principais acessos rodoviários da cidade. A redução também foi expressiva na BR-495, que conecta Teresópolis a Itaipava. O número de sinistros caiu de oito, nos primeiros seis meses de 2025, para apenas três no mesmo intervalo deste ano.
Ainda é preciso melhorar
Os dados mais recentes revelam uma tendência positiva: os três principais trechos analisados apresentam queda no número de sinistros. O resultado é particularmente expressivo na BR-495 e na Reta, enquanto a BR-116 apresenta redução menor, mas relevante diante do volume de tráfego que recebe diariamente. A evolução ocorre, porém, em um contexto no qual Teresópolis ainda registra números elevados de ocorrências de trânsito. Levantamento baseado no Anuário Estatístico do Detran-RJ apontou 276 sinistros no município em todo o ano passado, com 308 feridos e 29 mortes, tendo a BR-116 entre os pontos de maior concentração.

Câmara quer saber sobre mudanças
Mudanças em vagas no terminal rodoviário, ciclofaixa bidirecional, grades para evitar travessia de pedestres, faixa seletiva para ônibus… Nos últimos meses, os teresopolitanos têm presenciado grandes mudanças no trânsito local, principalmente na região central do município. E, mesmo tendo como objetivo melhorar o fluxo de veículos e a segurança de todos os envolvidos no trânsito, elas não têm agradado a todos. Visando esclarecer algumas situações questionadas pela população, e, se for o caso, reforçar a necessidade das alterações ou tentar revertê-las, a Câmara Municipal de Teresópolis aprovou, em 11 de agosto, um requerimento solicitando informações técnicas à secretaria municipal de Ordem, Mobilidade Urbana e Segurança Pública.
O documento foi apresentado pelo vereador Paulinho Nogueira (PL) que sejam apresentados os estudos utilizados para determinar a criação da faixa seletiva de ônibus, a reorganização de vagas de embarque e desembarque, a instalação do gradeamento ao longo de trecho da Lúcio Meira e Feliciano Sodré, entre outros pontos, cobrando o levantamento em relação ao número de acidentes nesses locais nos últimos oito anos e o comparativo com o período após a implementação das mudanças. Também são solicitados os dados de atendimentos realizados pelo Corpo de Bombeiros em acidentes de trânsito nesses locais e se há ou existe previsão de campanhas educativas para reduzir o número de sinistros. “Hoje trago esse requerimento porque a gente observa que o Centro passou por uma grande reformulação e precisamos entender se foi eficaz para a nossa população, que se foi conseguido o que foi pretendido para proteção da nossa população. Precisamos ter esses dados técnicos e o resultado do que foi aplicado já. Tenho certeza que em breve o executivo, a secretaria responsável trará as informações necessárias”, pontuou Paulinho. A secretaria tem 90 dias para responder à Casa Legislativa.




