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O DIÁRIO DE TERESÓPOLIS
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Promessa de construção de mais 900 gavetas no Caingá

Com mortes geradas pela Covid-19, situação do principal cemitério do município se agravou

Com 3.465 sepulturas e 2.247 covas rasas, além de mais de mil gavetas e aproximadamente dois mil nichos, o principal cemitério do município, o Carlinda Berlim, mais conhecido pelo seu nome anterior, o Caingá, continua registrando problemas relacionados à falta de locais para sepultamento. Não bastasse a impossibilidade de ampliação devido ao fim do espaço físico no seu entorno, por condições geográficas ou ocupação humana, o campo-santo está com “superlotação” ainda mais agravada devido ao aumento do número de óbitos nos últimos dois anos. Em consequência da Covid-19, quase 900 pessoas morreram em Teresópolis desde meados de 2020. Deve ser incluído ainda na lista de problemas em relação à falta de locais para sepultamentos o crescimento populacional desordenado do município nos últimos anos. Segundo a última estimativa do IBGE, Teresópolis não está muito longe dos 200 mil habitantes.
Sobre o aumento da demanda desse tipo de serviço essencial, que em alguns casos teria gerado atraso de sepultamentos até a liberação de espaço no Carlinda Berlim, questionamos o governo municipal. Havia previsão de licitação para construção de mais gavetas em meados do ano passado. Porém, ela só ocorreu no fim de 2021 e, segundo a PMT, nos próximos dias as obras serão iniciadas.  “A Prefeitura de Teresópolis informa que estão sendo tomadas as medidas necessárias para a ampliação da disponibilidade de vagas nos cemitérios municipais. Foi realizada uma licitação para a construção de 900 novas gavetas mortuárias e a empresa ganhadora do certame começa o processo construtivo ainda esta semana. O prazo de conclusão das obras é de 120 dias, com entregas parciais, por lotes de gavetas”, explicou o governo municipal, em nota encaminhada para O Diário nesta segunda-feira, 03. 
O documento informa ainda que “É importante salientar que a situação de quase esgotamento da disponibilidade de vagas foi algo excepcional, devido ao desequilíbrio na rotina de liberação de vagas nas gavetas, uma vez que aumentou a demanda por vagas em curto período, em função da pandemia, como aconteceu em todo o país” e que “O número de novas gavetas atenderá à demanda prevista para o município dentro do quadro de normalidade, ainda com excedente para casos excepcionais”.

Problema é mais antigo
A situação já era ruim e piorou bastante depois da pandemia. Importante lembrar que as quase 400 mortes da Tragédia de 12 de Janeiro 2011 já haviam provocado colapso – que não provocou nas autoridades, desde então, uma providência satisfatória.
Além dos sepultamentos em covas tão rasas para não serem alcançado outros túmulos mais profundos, o sepultamento em gavetas sem a necessária vedação vem fazendo proliferar moscas e mau cheiro no cemitério, onde um bairro foi criado praticamente dentro dele. “Os coveiros estão enterrando o corpo um em cima do outro, com quatro ou três palmos do chão só. A minha casa vive infestada de moscas de cemitério, nem posso abrir. Tenho uma bebê de três meses e já mandei vídeos explicando para o prefeito e até agora nada foi resolvido. Tá difícil viver aqui”, reclamou ao Diário em meados do ano passado  Cassiane Almeida.
Como O DIÁRIO já publicou dezenas de vezes, alertando as autoridades para o grave problema, os nove cemitérios do município não acompanharam o crescimento desordenado e, somado à falta de investimento, em total desrespeito que não é exclusivo do atual prefeito e seus secretários, mas já vem se arrastando há longo tempo, piora o caos que pode afetar qualquer um de nós num dos momentos mais difíceis de se lidar, que é o de se despedir de um ente querido. A situação é tão grave que nem os 29.000m² do Carlinda Berlim são suficientes para o número de falecimentos registrados diariamente. Faltam locais para sepultamento, espaço para covas ou gavetas, e até locais para depositar os ossos que são retirados. Além disso, a quantidade de funcionários não é suficiente para dar conta de tanto serviço, situação que obrigou o Ministério Público a propor Termo de Ajuste de Conduta ao município, visando organizar os cemitérios, cuja situação vem se arrastando há alguns anos e gerando multa diária ao município pelo não cumprimento de vários pontos.

Os cemitérios do interior
Além do Caingá, existem outros oito campos-santos em Teresópolis. Na estrada Isaías Vidal, próximo ao número 4200, fica localizado o cemitério de Canoas. Construído em um terreno doado pela família Queiroz, do Terceiro Distrito, o cemitério de Venda Nova está localizado no quilômetro 15 da Teresópolis-Friburgo, atrás da igreja de Nossa Senhora da Conceição. As primeiras sepulturas datam de 1877.  Um dos menores do município é o de Vale Alpino (antigo Córrego Sujo, fica ao lado do novo templo da igreja de Nossa Senhora da Conceição. Também no Terceiro Distrito, há campos-santos em Vieira, no quilômetro 36 da Teresópolis junto a igreja de Santa Luzia, e Bonsucesso, no  KM 28, atrás da igreja de Estrelinha.  No Segundo Distrito, o cemitério de Santa Rita fica em frente a igreja de Santa Rita de Cássia. Com o tamanho menor do que a metade de um campo de futebol. Naquela região do município, funcionam ainda os cemitérios de Serra do Capim e de Rio Preto, em Volta do Pião.

 

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