Cadastre-se gratuitamente e leia
O DIÁRIO DE TERESÓPOLIS
em seu dispositivo preferido

Anistia. Palavra feminina

O veto do Presidente Lula ao projeto que reduz as penas dos presos políticos aconteceu no mesmo momento em que, na Venezuela, os presos por Nicolás Maduro deixaram as prisões.
O ato do Presidente Lula é ato de vingança, não pela prisão que ele sofreu, mas pela anistia ampla, geral e irrestrita, concedida pelo Estado Brasileiro em 1979, para todos os que combateram o golpe de 1964 e para os que os repeliram.
Lula e os aliados até hoje julgam que só eles deveriam ter sido anistiados. O nó na garganta dessa turma “devolveu” João Goulart à Presidência do Brasil, em 2008, mesmo ele tendo morrido em 1976, criou a Comissão da Verdade em 2012 e, recentemente, entregou 400 mil reais à ex-presidente Dilma Rousseff como indenização pelas torturas que ela sofreu.
Estamos na entrada de 2026, e acreditamos que a democracia retornou em 1988 com a Assembleia Nacional Constituinte, mas verificamos que, na verdade, ela só deu uma volta no quarteirão.
Em 1975, no Brasil, o tempo era de medo, torturas, prisões, exílios e mortes. O AI-5 estava vivo e com pulmões cheios de ar. Exatamente, naquele momento, uma mulher, sozinha, iniciou o movimento pela anistia ampla, geral e irrestrita que aconteceria quatro anos depois.
Atualmente, fala-se bastante em anistia, mas não vejo citarem Therezinha Zerbini. Ouvi ou li em algum canto que há alguém a produzir um documentário sobre ela. Tomara.
Em 1968, após a prisão de estudantes durante o 30º Congresso da UNE, realizado em Ibiúna (SP), Therezinha lançou seu primeiro grande desafio ao regime militar, ao apoiar o movimento. Em 1970, ela foi presa pela Operação Bandeirantes, enquanto jantava com os filhos e o marido, General Euryale Zerbini, ex-auxiliar de João Goulart. Therezinha ficou 8 meses na prisão.
Em 1975, ela legalizou o Movimento Feminino pela Anistia (MFPA). O grupo começou modestamente, com cerca de dez mulheres reunidas no bairro do Pacaembu, em São Paulo, na Rua Caio Prado.
No entanto, com velocidade, o movimento ultrapassou as fronteiras paulistas e se expandiu por diversos estados brasileiros. A receptividade foi expressiva no Rio Grande do Sul, responsável por mais da metade das 15.600 assinaturas coletadas em apoio à anistia.
Em Porto Alegre, a primeira coordenadora do movimento foi Dilma Rousseff, ainda uma jovem militante.
Em 1977, Therezinha Zerbini aproveitou a visita da Primeira-Dama dos Estados Unidos ao Congresso Nacional Brasileiro e entregou-lhe uma carta conclamando as mulheres americanas a apoiarem a luta das mulheres brasileiras pela anistia.
Therezinha sustentou o pedido com a decisão de Jimmy Carter de anistiar os que, “por objeção de consciência” recusaram lutar na Guerra do Vietnã. Um assessor da Primeira-Dama disse a Therezinha: “A senhora é muito inteligente: não falou nada e disse muito.”
No dia 28 de junho de 1979, o general João Figueiredo, Presidente do Brasil assinou a anistia ampla, geral e irrestrita. O ato assinado começou a ser escrito, em 1975, por Therezinha Zerbini.
Encerro com as palavras da senhora Therezinha Zerbini ao Instituto Valdimir Herzog:
“Em 1975, identifiquei uma rara oportunidade de iniciar um trabalho político firme, consequente e estratégico. Era o Ano Internacional da Mulher, proclamado pela ONU sob as bandeiras da igualdade, do desenvolvimento e da paz. Foi nesse marco que nós, mulheres brasileiras, ousamos erguer a anistia como uma bandeira de paz e de direitos humanos — porque ela era exatamente isso”.

Jackson Vasconcelos

Tags

Compartilhe:

Outros Artigos
Teresópolis 25/08/2026
Diário TV Ao Vivo
Mais Lidas

“O público não vai deixar de ser atendido”, afirma prefeito sobre fechamento temporário da UPA

FEPORT 2026: principais atrações musicais são confirmadas

Área do Parque Estadual dos Três Picos será ampliada em Teresópolis

PM apreende motos utilizadas para cometer infrações em Teresópolis

Lutador ‘Mosquito’, de Teresópolis, vence no Open Juiz de Fora de Jiu-Jitsu

WP Radio
WP Radio
OFFLINE LIVE