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O DIÁRIO DE TERESÓPOLIS
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Não é sobre a faixa para os ônibus

Recentemente foi anunciada nova mudança no trânsito de nossa cidade. Mas nada de fechamento de rotatórias, mudanças de direção, sinalização, faixa de pedestres. A mudança trouxe a criação de uma faixa exclusiva para ônibus, pegando uma boa distância de nossa querida e eterna “Reta” destinada aos coletivos de transporte. E como toda mudança, as repercussões tomaram conta das redes sociais e esquinas da cidade. Onde tem café, tem conversa.

Mas, espera aí. Esse texto não é sobre a faixa dos ônibus, é sobre mudanças. Toda mudança incomoda, traz dúvidas, e mesmo muitas, mas muitas reclamações. Toda mudança exige uma renúncia, pois presume-se que tal decisão foi tomada tendo em vista um objetivo a ser alcançado, ou um posto a ser desistido, abandonado. Mudanças envolvem sempre pessoas, mesmo que o objeto seja físico, ou invisível. Pois a alma humana entende padrões, transforma em matéria, porém vive do intangível. Somos destinados à transcendência.

Quem aqui nunca desejou ou viveu uma mudança brusca, uma guinada na vida? Quem aqui nunca olhou pra trás e entendeu que em determinado momento “virou a chave”? Esse momento foi vivido sob muita renúncia, dedicação, abnegação, e talvez dor. Toda mudança incomoda, e na grande maioria das vezes, incomoda a terceiros. Seja por perderem benefícios ou por se perceberem passíveis de serem substituídos. Lembrando que a mudança pode impactar feridas em egos alheios.

Pois bem, mudanças, algo tão natural. Porém como adultos sabemos que nem toda mudança segue em frente; às vezes percebemos que a mudança nos levaria a uma furada, e para isso os cento e oitenta graus podem ser necessários. Desistir de uma mudança pode ser, em verdade, uma outra mudança.

Eustáquio Pereira

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