Marcello Medeiros
A Prefeitura de Teresópolis abriu licitação para contratar uma empresa especializada na gestão de resíduos resultantes de exumações realizadas nos cemitérios municipais. O pregão eletrônico nº 90032/2026 está com propostas abertas desde o dia 13 de abril e tem sessão prevista para 4 de maio. O processo administrativo nº 2.598/2025 prevê a contratação de serviços que incluem coleta, transporte, armazenamento temporário e destinação final – por meio de incineração – dos resíduos gerados nas exumações realizadas nos nove campos santos do município, sendo oito no interior e um na zona urbana, o Carlinda Berlim, mais conhecido como Caingá.
De acordo com o edital, as empresas interessadas podem enviar propostas até às 17h do dia 30 de abril. A disputa será realizada de forma online, em sessão marcada para o dia 4 de maio, às 11h. A licitação será conduzida pelo Departamento de Suprimentos e Licitações do município, que centraliza as informações e orientações aos participantes. O edital completo e os detalhes técnicos estão disponíveis nos canais oficiais da prefeitura. Esse tipo de serviço é considerado essencial para garantir o manejo adequado de resíduos potencialmente contaminantes, atendendo às normas sanitárias e ambientais vigentes.
Até o momento, não foi divulgado o valor estimado da contratação. O responsável pelo pregão é o pregoeiro Guilherme Castro.
Problema de anos
Apesar de realizado pela atual gestão, o serviço já deveria estar ocorrendo no município há muito tempo. Em julho de 2022, em consequência da dificuldade de dar uma destinação final adequada os resíduos gerados nas exumações, o município acabou envolvido em um caso polêmico.
Na ocasião, policiais da 5ª Unidade de Policiamento Ambiental, que atuam através do programa Linha Verde, registraram algumas irregularidades no principal cemitério do município, o Carlinda Berlim, mais conhecido como Caingá. A que mais chamou a atenção, com imagens fortes, algumas nem divulgadas pelo Diário, foi a improvisação para guardar ossadas retiradas de gavetas e nichos após o prazo legal previsto. “A equipe da 5ª UPAm procedeu ao local e conseguiu constatar no total cinco salas, um porão e um quarto com diversos restos mortais alocados de forma inadequada. Foi feito contato com o administrador do cemitério que disse não ter nenhuma licença ambiental para operar, e em seguida foi apresentado aos agentes um TAC do Ministério Público de 2006 onde foram encontradas diversas cláusulas não cumpridas pelo órgão administrador do cemitério municipal”, divulgou a equipe especializada da PM, através do site do Disque Denúncia.
Na ocasião, o governo Vinicius Claussen informou à reportagem que encontrava-se em avaliação a realização de processo licitatório para implementação do serviço de incineração. “A iniciativa pretende solucionar a ausência de um ossário – local específico para depósito de restos mortais após a exumação dos corpos sepultados nas gavetas mortuárias e covas rasas”. Porém, o serviço não saiu do papel.
A Polícia Ambiental informou ainda que no momento da fiscalização os policiais militares observaram em tempo real, o lançamento de resíduos oleosos oriundos de uma das salas de armazenamento de restos mortais diretamente ao solo, contaminando assim a vegetação local e possivelmente o lençol freático.






