Luiz Bandeira
Mesmo após quase quatro anos do início das intervenções, a reforma do Terminal Rodoviário José de Carvalho Jannotti, localizado no Centro de Teresópolis, continua sendo alvo de críticas e questionamentos por parte da população. Considerada uma das principais portas de entrada do município, o terminal recebe diariamente cerca de oito mil pessoas e desempenha papel fundamental na estratégia de desenvolvimento do turismo local. Porém, quem chega ao município dessa maneira continua não encontro um local tão receptivo quanto deveria. A obra, financiada pelo Governo do Estado, consumiu mais de R$ 6 milhões, valor que chegou a esse montante após a empresa vencedora da licitação obter um aditivo contratual de 40% sobre o orçamento inicialmente previsto, mas continua parecendo não ter sido concluída.
Os trabalhos tiveram início em junho de 2022 e deveriam ser concluídos em janeiro de 2023. No entanto, o cronograma sofreu sucessivos atrasos e, até o momento, o terminal ainda não recebeu o termo de aceitação definitiva da obra. Em julho de 2023, a Secretaria de Estado de Infraestrutura e Cidades (SEIC) informou que a reforma se encontrava em fase de conclusão. Entre as melhorias previstas estavam a recuperação da cobertura para solucionar problemas de infiltração e alagamentos, a modernização da rede elétrica, a padronização da comunicação visual, a instalação de nova iluminação e a revitalização dos sanitários. Apesar do anúncio oficial, problemas na execução começaram a ser identificados ainda durante os serviços e permaneceram após a emissão do aceite provisório da obra, concedido naquele mesmo mês com diversas ressalvas.

Infiltrações, telhado caindo e outros problemas
Usuários do terminal e vistorias técnicas apontaram uma série de falhas, como infiltrações, desprendimento de placas impermeabilizantes na cobertura, instalações elétricas aparentes na fachada, defeitos no acabamento dos pisos e ausência de itens previstos em contrato. Relatório elaborado pelo próprio Estado registrou pelo menos 12 irregularidades consideradas graves, entre elas telhas que não foram substituídas, obstruções no sistema de drenagem e a utilização de materiais diferentes dos especificados no projeto.
Diante da situação, em abril de 2024, o Governo do Estado anulou o aceite de conclusão da obra e passou a exigir que a empresa responsável realizasse as correções necessárias. Diversas notificações foram emitidas, mas as pendências permaneceram sem solução. Além da obrigação de reparar os problemas identificados, a construtora deverá ser penalizada por descumprimento contratual. Um processo administrativo foi instaurado para apurar responsabilidades e segue em andamento.

O cenário gera frustração entre moradores, comerciantes e usuários do transporte coletivo, especialmente porque a revitalização do terminal era uma reivindicação antiga da população. Além de comprometer a imagem de um dos principais cartões de visita da cidade para quem chega a Teresópolis, os problemas constatados na obra reforçam a sensação de desperdício de recursos públicos em um investimento que deveria proporcionar mais conforto, segurança e acessibilidade. Para muitos teresopolitanos e visitantes frequentes, a expectativa de contar com um terminal moderno e funcional acabou dando lugar à insatisfação diante de uma reforma milionária que, até o momento, não entregou os resultados esperados.







