Com o avanço da PEC que reduz a carga horária semanal de 44 para 40 horas, conhecida como o “fim da escala 6×1”, trabalhadores e empresários repercutem os efeitos dessa mudança. As redes sociais têm sido um termômetro de que o tema chegou a um ponto em que a aprovação definitiva parece ser apenas uma questão de tempo.
Independentemente do estágio do debate no Senado, uma coisa é certa: os empresários precisam começar a “fazer conta” agora. O projeto prevê a redução para 42 horas semanais dentro de 60 dias após a promulgação da lei, e para 40 horas semanais doze meses depois. Ou seja, em pouco mais de um ano, a nova realidade estará consolidada.
Já é hora de sentar e planejar a rotina operacional para quando a regra entrar em vigor. Poucos demonstram na prática a preocupação que exaltam nas redes sociais, mas o momento exige, sem distinção, reflexão profunda. Setores de atividades contínuas, como segurança, saúde, comércio, alimentação e shoppings, são os que precisam, urgentemente, mapear os impactos em suas dinâmicas de funcionamento.
Nossa orientação é clara: sabendo que a mudança é inevitável, o momento atual é de prever cenários e diagnosticar possibilidades de adaptação em termos de jornadas, custos e tecnologia. Grandes negócios tendem a absorver impactos de forma mais rápida e organizada; os pequenos, por outro lado, são os que mais precisam se antecipar para não serem pegos de surpresa.
O primeiro passo é o diagnóstico: como essa mudança impactará a operação, desde a escala de turnos até a necessidade de ampliação do quadro de colaboradores? Como a proposta contempla a proibição de redução de salários, o aumento de custos será um desafio real caso seja necessário contratar mais pessoal. Por isso, muitos já se movimentam para investir em automação e tecnologia, buscando cobrir eventuais lacunas. É o ciclo natural das reformas desde 1988: a lei muda e a sociedade, aos poucos, se adapta.
O erro que nenhum empresário, do micro ao grande, pode cometer é o da inércia: acreditar que nada acontecerá ou que tudo continuará como está. Esperar a mudança se tornar realidade para só então pensar no negócio é um risco que o mercado não perdoa.


