Exercer uma função de poder no ambiente profissional deveria nos levar a um aperfeiçoamento da nossa responsabilidade sobre os demais. Em muitos casos, porém, o que se vê é a elevação de um personagem que se exalta para além dos outros. Ter poder não é para qualquer um.
Nesse ambiente, o poder se refere exatamente aos níveis de obrigações. É inegável que liderança e responsabilidade precisam caminhar de mãos dadas, em um movimento que vai de cima para baixo: quanto maior o cargo, maior o impacto sobre os liderados. Exercer poder é gerir, direcionar, controlar e planejar.
Podemos dizer que um termômetro desse poder é a capacidade de destruição. Numa empresa, cada um, dentro de suas atribuições, pode causar impactos diversos. Vai desde o operador de máquinas que, por erro, trava toda uma operação, até o gerente financeiro que, ao errar uma vírgula na planilha, compromete todo o fluxo de caixa de um negócio. Podemos avaliar o poder sob este prisma.
Algumas pessoas, contudo, exercem um poder silencioso. Não estão nos cargos de gestão, não assinam relatórios, não exigem satisfação de quase ninguém. Sua atividade passa desapercebida até mesmo no cafezinho; em alguns locais, chamam a atenção somente pelo tipo de sanduíche que comem ou pelo tamanho da marmita.
E onde está o poder dessa pessoa? Inicialmente, quando ela sai de férias. Seu trabalho precisa ser dividido entre duas, três ou quatro pessoas. “É só este mês”, dizem. O serviço funciona e rende, mas não na mesma velocidade e qualidade, especialmente quando há envolvimento com o público externo.
O exemplo definitivo surge quando ela pede demissão. O poder oculto desse funcionário reside em sua produtividade: a dedicação, o empenho e a organização das tarefas são tão grandes que fazia parecer fácil a tarefa. O impacto é tamanho que a empresa se vê obrigada a recrutar dois ou três profissionais para dar conta do mesmo volume. A capacidade de criação se mostra complexa demais à primeira necessidade de reposição.
Muitos de nós dizemos que ninguém é insubstituível. Eu mesmo repito isso no meu ambiente de trabalho, inclusive sobre mim. Porém, a experiência tem mostrado que, por mais que ninguém seja de fato intocável, a qualidade fundamental de alguém perto disso é precisar ser substituído por três para que o trabalho se mantenha no mesmo nível.