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O DIÁRIO DE TERESÓPOLIS
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O Peso da Ausência: Quando a Vida se Vai e o Mistério Permanece

A vida passa. Passa… Poucas vezes vagarosa, esmagadoramente acelerada na maioria. O tempo se relativiza, não apenas por uma explicação quântica, mas muito mais pela percepção do que vemos, vivemos ou aproveitamos. A vida é um vapor que aparece e logo some. Memento mori, em latim, lembre-se de que você é mortal, como diziam os eremitas franceses..

“Ser-para-a-morte”, descreveu Heidegger. A morte nos angustia e nos lembra a finitude. A malandragem de Sísifo não nos será permitida. Não se engana a morte como fez aquele personagem. Não há trapaceiros bem-sucedidos quando ela bate à porta. Não há jeitinho brasileiro perante a inevitável e irrecusável visita. Não se finge não estar em casa quando as palmas batem ao portão. Ela não bate, ela não vem, ela já está. Nasce com a gente. Descansa como um vigia que diariamente faz suas rondas e fica à espreita, à espera de tomar sua atitude.
Sísifo, diga-me: como fez? Como prorrogou? Não peço para mim, requisito para os meus, para os nossos, aqueles que nos deixaram. Não se ouve resposta. Ambos se foram. Não se ouve mais sua voz entre nós. Definitivamente, até quem prorrogou pode não ter consumido a vida que lhe foi somada.

Não adianta, a vida se vai e esvai pelos dedos. Os seres voltam ao pó e seu fôlego volta a Deus, que o deu. Quem inventou a morte não se apercebeu de que ela viria para si também. .

Criamos e não sabemos como nos livrar. O monstrengo do Dr. Victor Frankenstein se rebelou contra seu criador, causando-lhe dor profunda quando a tal criatura mata o irmão mais novo do doutor. Frankenstein passa então, a se sentir culpado por ter criado o monstro; o segredo e a culpa passaram a lhe torturar. O que criamos, fazemos com pedaços de nós; o monstro carrega partes do que o Dr. Frankenstein possuía, por isso a morte dói, pois ela nos carrega junto. Carrega a esperança de um mundo melhor a partir daquela voz que não se ouvirá mais, de uma vida cheia de sonhos que na juventude partiu; carrega nossos almoços de domingo que não mais permitirão as mãos doces e cautelosas de quem fazia nascer aquele franguinho assado com batatas. Inventamos e não sabemos nos livrar da morte, por isso a angústia se apresenta.

Na tristeza do abandono, diante da ausência de quem se foi, uma canção invade a história e brota como uma brisa suave tocando os rostos molhados e a fria tez de quem partiu. O volume baixo só se faz perceptível a quem se deteve em mergulhos mais profundos na existência; diz a letra dessa canção: “Onde está, ó morte, a sua vitória? Onde está, ó morte, o seu poder de ferir?” Aquietemo-nos perante o mistério profundo, a Vida se fez carne para assim derrotar a morte. Nem nos seus melhores sonhos Sísifo conseguiria tal feito.

Tiago

Tiago Sant´Ana

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