Maria Eduarda Maia
A forma de se hospedar no Brasil acaba de passar por uma transformação importante. Desde o dia 20 de abril, entrou em vigor a obrigatoriedade da nova Ficha Nacional de Registro de Hóspedes (FNHR) em formato digital para todos os meios de hospedagem cadastrados no Cadastur. A mudança substitui o antigo modelo em papel e busca modernizar o setor, além de tornar o atendimento mais ágil. Com a nova regra já em vigor, estabelecimentos que não se adequarem podem sofrer sanções, como advertências e multas.
Na prática, pouca coisa muda em termos de informações. Dados como nome, endereço, origem, destino e meio de transporte continuam sendo exigidos. A principal diferença está na forma de preenchimento, que agora pode ser feita diretamente pelo celular. “A ficha não muda em conteúdo. As informações são as mesmas. Basicamente, só muda agora que você faz tudo digitalmente”, explica o consultor em Hospitalidade, Turismo e Serviços, Gilberto Luiz Braga, em entrevista ao Diário.

O novo sistema permite que o cadastro seja realizado por meio de um QR code disponibilizado pelo hotel no momento da chegada ou até antecipadamente, por meio de plataformas online. Com isso, o processo de check-in tende a ser mais rápido e eficiente. “Muitas vezes você chega de viagem e quer entrar logo no quarto. Preencher tudo manualmente, com fila na recepção, atrasava bastante. Agora o recepcionista só confere os dados e já libera o hóspede”, destaca Gilberto.
Dados em tempo real
Além da praticidade para os clientes, a digitalização também representa um avanço na gestão de informações. Antes, os dados eram enviados aos órgãos públicos mensalmente. Agora, o envio é feito em tempo real, permitindo maior controle e melhorias no planejamento do turismo em níveis municipal, estadual e federal. “Você já fez o check-in e o governo já recebe essas informações na hora. Isso pode ajudar muito no desenvolvimento do turismo”, afirma o consultor.

A proposta também traz ganhos operacionais: menos uso de papel, redução de retrabalho e aumento da produtividade. Para o hóspede, a experiência tende a ser mais ágil, com a possibilidade de chegar ao hotel com praticamente todo o processo já concluído.
Desafios para pequenas pousadas
No entanto, a mudança também impõe desafios. Nem todos os meios de hospedagem estão no mesmo nível de desenvolvimento tecnológico, especialmente em regiões do interior de Teresópolis, por exemplo. “Esse é o grande desafio. Pequenas pousadas vão ter que se adequar, melhorar a internet, investir em sistemas. No interior, a gente sabe que isso nem sempre é simples”, aponta Gilberto Braga. A dependência de conexão estável e da própria plataforma digital também podem ser desafios: instabilidades podem impactar diretamente a operação, sobretudo em horários de pico de check-in.

Novas exigências operacionais
Outro ponto que merece destaque é a necessidade de maior rigor na conferência de dados. Embora o pré-preenchimento agilize o processo, ele exige equipes mais preparadas para evitar inconsistências. Além disso, a digitalização vem acompanhada de outras discussões no setor, como a padronização da diária de 24 horas, o que pode exigir ajustes na rotina operacional dos hotéis.
Modernização
Apesar dos desafios, a avaliação é positiva. Para o consultor em Hospitalidade, a digitalização é vista como um passo necessário para acompanhar a evolução do setor turístico global e aumentar a competitividade da hotelaria brasileira. “A modernização tira a gente da zona de conforto, mas não pode ser vista como obstáculo. É algo que vai facilitar a vida tanto do hoteleiro quanto do turista”, conclui. Para turistas estrangeiros, a expectativa é de adaptação tranquila. Muitos já estão familiarizados com sistemas semelhantes em outros países.
O tema também foi abordado por Gilberto Luiz Braga em uma coluna, na qual o consultor aprofunda a análise sobre os impactos da digitalização no setor de hospedagem. O material foi publicado no site www.netdiario.com.br e está disponível para leitura para quem quiser entender melhor as mudanças e seus desdobramentos.






