A Região Serrana do Rio de Janeiro possui características únicas. As montanhas, os vales e a proximidade com a natureza ajudam a construir a identidade de cidades como Teresópolis, Petrópolis, Nova Friburgo e tantos outros municípios da região. Ao mesmo tempo, essa geografia impõe desafios que exigem planejamento, responsabilidade e visão de longo prazo, especialmente quando falamos de habitação.
As tragédias provocadas pelas chuvas ao longo das últimas décadas deixaram marcas profundas em toda a Serra Fluminense. Milhares de famílias tiveram suas vidas impactadas por enchentes e deslizamentos que evidenciaram a necessidade de ampliar o acesso à moradia segura e ao crescimento urbano planejado.
Embora cada município tenha suas particularidades, existe um desafio comum: garantir que o desenvolvimento das cidades aconteça de forma organizada, oferecendo alternativas habitacionais adequadas para a população. Quando faltam opções acessíveis e bem localizadas, muitas famílias acabam ocupando áreas que apresentam algum grau de vulnerabilidade, situação que aumenta os riscos em períodos de chuvas intensas. Os números ajudam a ilustrar o tamanho do desafio. A estimativa é que ainda residam em áreas de risco 18 mil pessoas em Teresópolis e 20 mil em Nova Friburgo. Em Petrópolis, cidade que mais tem sofrido com as consequências das moradias irregulares, estudos técnicos apontam um déficit de cerca de 11,8 mil moradias e mais de 27 mil imóveis localizados em áreas classificadas como de risco alto ou muito alto. Essa realidade demonstra que a questão habitacional continua sendo um tema central para toda a Região Serrana.
Quando falamos em habitação, não estamos tratando apenas de construção civil ou mercado imobiliário. Estamos falando de dignidade, qualidade de vida e segurança. Uma moradia adequada representa a tranquilidade de uma família durante um período de chuvas, o acesso a infraestrutura urbana e a oportunidade de construir um futuro mais estável.
Por isso, acredito que a questão da moradia segura não deve ser encarada como responsabilidade exclusiva do poder público ou da iniciativa privada. Cada um possui um papel essencial nesse processo. Cabe ao poder público planejar o crescimento urbano, investir em infraestrutura, mobilidade, saneamento e criar condições para que as cidades se desenvolvam de forma ordenada. Já a iniciativa privada pode contribuir com investimentos, inovação e a produção de empreendimentos acessíveis, sustentáveis e adequados às necessidades da população. Quando esses esforços caminham na mesma direção, os resultados aparecem.
Talvez o maior desafio seja justamente deixar de lado a ideia de que existe uma solução única ou um único responsável por resolver esse problema. Questões estruturais exigem cooperação, diálogo e visão de longo prazo.
A moradia segura deve ser vista como uma prioridade regional. Mais do que construir imóveis, estamos falando de construir oportunidades, proteger vidas e fortalecer a capacidade de nossas cidades enfrentarem os desafios do futuro. Esse é um compromisso que deve unir governos, iniciativa privada e sociedade em torno de um objetivo comum: garantir mais dignidade, segurança e qualidade de vida para as próximas gerações.
Rogério Branco é CEO da Gênesis Empreendimentos


