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O DIÁRIO DE TERESÓPOLIS
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Não há solução simples para problemas complexos

Em todos os campos da política pública, o Estado Brasileiro tem uma longa história de boas ideias, que morrem sem projeto e de bons projetos, que ficam no papel ou acabam na primeira etapa. A Segurança Pública é um ambiente rico de exemplos. A cada movimento mais drástico do crime, o Estado responde com propostas que não se sustentam, pois…
Sem meta, não há gestão
Um projeto é, antes de tudo, uma estratégia — uma seta que aponta para o futuro. É o movimento entre o “hoje, aqui” e o “amanhã, lá”. Quando o rumo se perde, é como se uma força maior viesse corrigir a trajetória, mostrando que o futuro desejado está em outro ponto. Mas, para chegar até lá, é preciso uma direção clara: uma meta.
Gerenciar é atingir metas ou resolver problemas — o que, na essência, é a mesma coisa. Sem meta, não há gestão; há apenas reação. O gestor que não estabelece objetivos passa o tempo apagando incêndios, correndo de um lado para outro, confundindo movimento com direção.
Gerir é planejar, definir ações e tomar as medidas necessárias para alcançar o que se pretende. Isso vale para qualquer organização, pública ou privada. O que distingue as administrações técnicas das medíocres é a presença de metas claras e indicadores que permitam medir o progresso.
O Brasil ainda sofre com a ausência dessa cultura de gerenciamento. Se perguntássemos hoje a cada servidor público, a cada ministro, governador ou prefeito quais são suas metas, talvez mais de 90% não soubessem responder. E, sem metas, não há gestão. Há apenas um improviso.
Vejamos o caso da segurança pública. O governo federal nunca gostou do tema. Nunca mesmo. Mas, agora indica que quer mudar de posição e apresentou uma PEC, sempre elas.
Contudo, nela não há indicadores, metas nem mecanismos de acompanhamento. A consequência será a continuidade de uma ineficiência crônica: políticas públicas que não entregam o que prometem e recursos que não geram resultados.
Sem meta, não há gestão. Sem indicador, não há direção. E sem direção, o Estado apenas se move — mas não anda. Se defende das narrativas. E elas brotam como erva daninha nos campos. Vejam vocês o que andam a dizer sobre o episódio da semana no Complexo do Alemão e da Penha. O que, na verdade, houve lá?
Vamos aos fatos. As polícias militar e civil foram ao local para cumprir mandados de busca e apreensão e de prisão determinados pela Justiça. Foram recebidos à bala. O que deveriam ter feito? Recuado? Colocado em risco mais vidas de policiais? As polícias agiram. Prenderam quem se rendeu e mataram quem reagiu atirando.
Por que reagiram? Por estarem armados. Por que estavam armados? Quando o governo federal conseguir uma resposta convincente para essa pergunta, os confrontos deixaram de existir. E só conseguirá se estabelecer metas e cronogramas tirar todos os fuzis e armas das mãos dos criminosos, que usam parte do território das cidades como supermercado de drogas.

Jackson Vasconcellos

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