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O DIÁRIO DE TERESÓPOLIS
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O networking interesseiro e o egoísta

O networking no mundo dos negócios é um termo que define a forma como cuidamos da nossa rede de contatos profissionais. É uma espécie de etiqueta corporativa. É um termo bonito, e que faz melhor quem sequer sabe que ele existe.
Enquanto etiqueta profissional, ou etiqueta dos negócios, o networking é sempre interesseiro. Não tem jeito. E faz parte do jogo, e é assim que tem que ser. A crítica que devemos fazer é quanto ao networking egoísta. Este se classifica por “chantagens” disfarçadas de favores e auxílios, que ficam armazenados na memória para uma eventual necessidade futura.
A diferença do networking interesseiro (que vamos chamar somente de networking) para o egoísta está na forma como entendemos o outro. O networking tem uma característica relacional, colaborativa, de pertencimento. “Eu sou contador e aquele ali é um igual a mim, na alegria e na dor”. Já o egoísta se vê como alguém no mundo, à parte, separado do outro. “O que eu posso fazer, para aquela pessoa depender de mim, depois?” ou: “o que eu posso fazer, pra ela me dever um favor, quando eu precisar?”.
O networking é, para quem sequer sabe que ele existe, fazer a sua parte bem feita, agir com respeito aos pares, ser interessado em sua área de atuação, entendendo que o mundo tem girado cada vez mais veloz, com novidades e possibilidades que se cruzam e surgem de uma hora para a outra.
Para os egoístas, que pensam saber o que é um networking, trata-se tão somente de enxergar os demais como objetos, engrenagens ou ferramentas, e como tais, ficam num cantinho da casa, dentro de um caixote, para eventual utilidade.
Há ainda uma espécie de networking orgânico, que é aquela rede que temos na nossa vida social e em muitos casos de forma despretensiosa. Uma troca de mensagens com um amigo distante, ou ainda um café no meio da tarde para falar da própria vida pode representar insights maravilhosos que favorecem desde o crescimento na carreira, quanto uma transição ou um retorno a um projeto abandonado.
Viver é necessário, e viver é relacionar-se. Apesar da frieza das telas e do aparente distanciamento, continuamos tão interligados e codependentes hoje quanto estávamos há trinta ou quarenta anos atrás.

Eustáquio Pereira

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